TERAPIAS COGNITIVO COMPORTAMENTAL E BEHAVIORISTA RADICAL: SÃO DIFERENTES?


TERAPIAS COGNITIVO COMPORTAMENTAL E BEHAVIORISTA RADICAL: SÃO DIFERENTES?
terapia-cognitivo-comportamental


Eliane Falcone (UERJ)
A terapia comportamental parece estar atualmente dividida em duas posições: uma é defendida por aqueles que consideram o estudo de processos cognitivos um avanço enriquecedor para a abordagem comportamental tradicional aos problemas humanos (Dobson & Block, 1988: Freeman, Pretzner, Fleming & Simon, 1990; Hawton, Salkovskis, Kirk & Clark, 1989) e outra, representada por autores de tradição Skinneriana, entende que o enfoque cognitivo descaracteriza o modelo comportamental em suas bases filosóficas e teóricas (Theyer, 1992; Hayes, 1987; Alverez, 1991). Os representantes da primeira posição costumam ser chamados de cognitivo-comportamentais e os da segunda de behavioristas-radicais.
Embora ambos os enfoques apresentem agurmentações coerentes com os seus modelos ao apontarem as suas diferenças, tais diferenças parecem ser mais evidentes no plano filosófico do que no teórico, e inexistentes na prática clínica atual. Este artigo busca levantar algumas questões neste sentido. Antes, porém, torna-se necessária uma breve explanação sobre os enfoques cognitivo-comportamental e behaviorista-radical.
O final da década de 60 foi marcada pelo surgimento de insatisfações com a terapia comportamental tradicional, por esta não considerar os fatores cognitivos como imprescindíveis para compreensão e tratamento mais abrangentes de problemas clínicos mais complexos, tais como desordens de ansiedade e depressão. Além dos estudos de Bandura sobre aprendizagem vicária e auto-eficácia, que contribuíram para o desenvolvimento de pesquisas na área de cognição, modelos de tratamento tais como a Terapia Racional Emotiva de Ellis, o Treino Auto-Instrucional de Meichenbaum e a Terapia Cognitiva da Depressão de Beck foram se desenvolvendo e gerando interesses entre os profissionais de orientação comportamental (para uma leitura mais detalhada deste assunto, ver Mahoney, 1974; Dobson & Block, 1988; Hawton, Salkovskis, Kirk & Clark, 1989). O avanço das pesquisas que incorporam processos cognitivos aos modelos comportamentais conquistaram um número cada vez maior de adeptos (Dobson & Block, 1988) gerando o que mais tarde foi chamado por Mahoney de “revolução cognitiva” (Mahoney 1988, p.357 e 358). Atualmente, tratamento cognitivo-comportamental é utilizado na maioria das desordens encontradas na prática psiquiátrica (Hawton, Salkovskis, Kirk & Klak, 1989) e é o tratamento padrão utilizado internacionalmente, como se viu no último Congresso Mundial de Psiquiatria, no Rio de Janeiro, em junho.
A terapia cognitivo comportamental considera que os problemas psicológicos podem ser compreendidos em termos de sistemas de respostas intercalados: o cognitivo, afetivo/fisiológico e o comportamental. O modo como uma pessoa percebe o ambiente a sua volta (reação cognitivo) é seletivo e depende de um conjunto de regras e crenças adquiridas no desenvolvimento desta pessoa. As reações cognitivas influenciam e são influenciadas pelas reações afetivas, fisiológicas e comportamentais. Assim, nas desordens de ansiedade e na depressão, o indivíduo percebe e avalia a situação de forma distorcida, tendenciosa (distorção cognitiva), propiciando a ocorrência de afetos desagradáveis (angústia, desânimo, etc), de reações fisiológicas correspondentes (sudorese, taquicardia, tonteira, fraqueza, etc), e de comportamento (bloqueio, colapso, tremor, fuga, evitação, etc), que acabam confirmando as hipóteses negativistas acerca de situação e da auto-imagem (para melhor compreensão deste assunto, ver De Rubeis & Beck, 1988; Beck, Shaw & Emery, 1982; Beck & Emery 1985; Dobson & Block, 1988; Hawton, Salkovskis, Kirk & Klark, 1989; Freeman, Pretzner, Fleming & Simon, 1990).
Behavioristas radicais consideram que a ascendência da análise cognitiva na abordagem comportamental, é em parte, atribuída à dificuldade com que terapeutas do comportamento lidam com o behaviorismo e com as suas bases teóricas. Além disso, os princípios comportamentais mais conhecidos surgiram de experimentos com animais, que são diferentes de seres humanos, fazendo com que muitos terapeutas comportamentais se tornassem cognitivos. Embora as diferenças entre animais e seres humanos constituíssem um problema a ser resolvido no estudo do comportamento, a solução encontrada por estes terapeutas foi errada (Hayes, 1987).
O behaviorista radical tem sido confundido com o behaviorismo metafísico de Watson (Hayes, 1987; Thyer, 1992) que é também monista, mas exclui o mundo privado, uma vez que este não é publicamente observável. Contrários a esta posição, os behavioristas radicais seguem a linha Skinneriana, que admite o estudo científico de fenômenos privados. Assim, “… pensamentos não são substancialmente diferentes em virtude de sua natureza privada. Eles podem ter propriedades especiais porque são verbais, mas ainda são comportamentos” (Hayes, 1987, p.330).
Com base nesta proposição, os behavioristas radicais encontram uma forma de estudar as reações humanas fazendo uma distinção entre público e privado, em vez de físico e mental, considerando esta última como falsa e dualista (para uma revisão mais detalhada do assunto, ver Hayes, 1987).
Mantendo a ênfase na determinação ambiental, os behavioristas radicais procuram compreender as contingências que apoiam a relação entre pensamentos e outras formas de ação humana, através do estudo do comportamento controlado por regras ou controle verbal(Hayes, 1987; Alvarez, 1991). Deste modo, regras verbais produzidas pela comunidade social-verbal influenciam outras formas de ação humana (Hayes, 1987). As implicações clínicas desta proposição referem-se a possível distorção verbal que um indivíduo pode ter da realidade e de si mesmo, a partir de controle instrucional generalizado, mostrando efeitos nocivos no comportamento, mesmo quando as contingências são contactadas (Hayes, 1987; Alvarez, 1991). Isto é “tradicionalmente entendido como distorção cognitiva” (Alvarez, 1991, p.77). “A reestruturação cognitiva, por sua vez, seria reconhecida como uma forma de modificação de conduta verbal” (Hamitan, 1988; Hayes, Kohlenberg e Melacon, 1989, in Alvarez, 1991, p. 77). Hayes apresenta um belíssimo modelo de tratamento denominado “distanciamento compreensivo”, que “transcede as distinções entre terapia cognitiva e terapia comportamental, na medida em que é um modelo racionalizado comportamentalmente, podendo incorporar ambos os conjuntos de técnicas ” (Hayes, 1987, p.342).
Com base no que foi visto até agora, uma diferença entre cognitivistas e behavioristas parece estar no nível de rigor científico que permeia os conceitos teóricos de ambos os enfoques. Para os behavioristas radicais, aceitar o uso da palavra “cognição” seria aderir a uma postura dualista, o que constituiria um sério problema metodológico. Deste modo, a referência às reações cognitivas como “comportamentos encobertos” foi uma estratégia brilhante que estendeu o modelo operante à compreensão de fenômenos mais complexos. Cognitivistas-comportamentais também consideram as cognições como um sistema de respostas, mas não de uma forma tão compromissada com contingências e com termos precisamente impostos. Embora preocupados com validade empírica e expressão de conceitos operacionais, eles não são tão rigorosos do ponto de vista científico.
Behavioristas radicais costumam ser bem mais flexíveis na aplicação de técnicas terapêuticas do que na construção de suas teorias ao adotarem um ecletismo técnico assumido. O modelo de tratamento de Hayes citado neste artigo constitui uma ilustração deste tipo de intervenção, principalmente pela inclusão de procedimentos da gestalt-terapia. Talvez este ecletismo técnico seja uma forma de suprir as limitações impostas pelo rigor metodológico do behaviorismo radical.
Outra diferença encontrada entre cognitivistas e behavioristas está na ênfase dada às contingências ambientais e às cognições. Enquanto o primeiro grupo busca encontrar crenças subjacentes para entender de que maneira as reações cognitivas influenciadas pelas afetivas/fisiológicas e comportamentais, o segundo processo procura saber que tipos de contingências levariam um comportamento a ocorrer e a influenciar outro comportamento. Deste modo behavioristas radicais enfatizam a determinação ambiental na compreensão dos comportamentos (abertos e encobertos) do indivíduo, enquanto cognitivo-comportamentais priorizam os processos cognitivos, considerando que o homem reage a um ambiente percebido e não a um um ambiente real.
Possivelmente outras diferenças seriam apontadas neste texto, caso houvesse mais espaço.
Caberia aqui levantar algumas questões que ficarão em aberto para o leitor refletir a respeito: seriam as diferenças entre abordagens cognitivo-comportamentais e behavioristas radicais tão significativas a ponto de estas se excluírem na compreensão e tratamento de problemas clínicos? Não seriam a ocorrência de diferentes posturas dentro de uma mesma abordagem, em função do crescimento desta culpa? A “disputa” entre estes dois enfoques não deveriam ser considerada positiva para o desenvolvimento de ambos?

REFERÊNCIAS:
ALVAREZ,M.P.(1991). El sujeito en la modificación de conduta: Um Análisis Conducista. In V.E. Caballo (Ed). Manual de Técnicas de Terapy y modificación de Conduta. Madrid: Siglo XXXI de España Editores.
BECK,A.T; RUSH, A.J; SAHW,B.F. & EMERY,G. (1982). Terapia da Depressão. Rio de Janeiro: Zahar.
BECK,A.T. & EMERY,G. (1985). Anxiety Disorders and Phobias – cognitive Perspective, New York: Basic Books.
DOBSON,K.S. & BLOCK,L. (1988). Historical and Philosophical Bases of The Cognitive-Behaviorial Therapies. In K.S. Dobson (Ed). Handbook of Cognitive-Behahaviorial Therapies. New york: Guilford Press.
DE RUBEIS,R.J. & BECK A.T. (1988). Cognitive Therapy. In K.S. Dobson (Ed). Handbook of Cognitive Behaviorial Therapies. New York: Guilford Press.
FREEMAN,A; PRETZER,J; FLEMING, B. & SIMON,K.M. (1990). ClinicalApplications of Cognitive Therapy. New York: Plenum Press.
HAWTON,K; SALKOVSKIS,P.M; KIRK,J. & CLARK,D. (1989). The development and Principles of Cognitive-Behavioural Treatments. In K. Hawton; P Salkovskis; J. Kirk & D. M. Klark (eds). Cognitive behaviour Therapy for Psychiatric Problems, A Practical Guide. Oxford: Oxford University Press.
HAYES,S.C. (1987). A Contextual Approach to Therapeutic Change. In N.S. Jacobson (Ed). Psychotherapists in Clinical Practice. New York: Guilford Press.
MAHONEY, M. (1974). Cognition and Modification. Cambridge, Mass: Ballinger Publishing Company.
MAHONEY, M. (1988). The Cognitive Sciences and Psychotherapy: Patterns in a Devoloping. Relationship. In K.S. Dobson (Ed). Handbook of Cognitive Behavioural Therapies. New York: Guilford Press.
THYER, B.A. (1982). The Term “Cognitive-Behavior Therapy” is Redundant. The Behavior Therapist,15,112.
Inpa – Instituto de Psicologia Aplicada, Brasília, DF.

Fonte: https://www.inpaonline.com.br/

Diferença Entre a Psicologia Comportamental e a Análise do Comportamento


Diferença Entre a Psicologia Comportamental e a Análise do Comportamento
ANDERSON DE MOURA LIMA
A Psicologia Moderna é uma área do conhecimento que em 2009 fará 130 anos. Fundada em 1879 quando o alemão Wilhelm Wundt criou o primeiro instituto de psicologia experimental dotado de laboratórios na Universidade de Leipzig em seu país é uma área muito ampla que possui diversas escolas de pensamento, áreas de pesquisa e que pode se aplicada em diversos contextos. Muitos leigos, estudantes e até mesmo profissionais de Psicologia em decorrência dessa amplitude confundem os conceitos de Psicologia Comportamental e Análise do Comportamento. A maioria acredita se tratarem da mesma coisa.
O objetivo deste artigo é mostrar que a Análise do Comportamento é uma área definida do conhecimento humano enquanto o termo “Psicologia Comportamental” é uma palavra genérica que não diz muita coisa. No máximo podemos dizer que a Análise do Comportamento está inclusa dentro da Psicologia Comportamental não significando, portanto que são a mesma área.
Starling (2003), uma dos maiores Analistas do Comportamento do Brasil, afirma que
 “‘Psicologia Comportamental’ é uma denominação excessivamente genérica. De uma maneira imprópria, esta denominação pode englobar visões de mundo, pressupostos e conjuntos tecnológicos muito diferentes, muitas vezes incompatíveis entre si, tais como, por exemplo, o behaviorismo primitivo tal como formulado por Watson em 1913 e conhecido como Behaviorismo S-R, o behaviorismo mentalista de Hull e o behaviorismo mediacional de Tolman, a análise do comportamento de inspiração skinneriana, o neobehaviorismo metodológico que encontra sua expressão mais madura nos cognitivismos contemporâneos, o conjunto eclético e empirista das chamadas ‘comportamentais-cognitivas’ e ainda outras práticas que eventualmente usam o adjetivo ‘comportamental’ para qualificar, muitas vezes inapropriadamente, o seu substantivo. Assim, embora de uso comum por profissionais estranhos à área, a denominação ‘psicologia comportamental’ simplesmente não faz sentido e não se pode saber o que se deve entender por ela”.
Com respeito á Análise do Comportamento Starling (2003) afirma que “a Ciência do Comportamento [Análise do Comportamento] constitui um campo disciplinar por direito próprio, uma ciência natural, com afinidades epistemológicas, conceituais e metodológicas com a física, a química e a biologia contemporâneas”.
Falcone (2004) ao diferenciar a prática clínica de Analistas do Comportamento (também chamados de Behavioristas Radicais) e dos Psicólogos Cognitivistas - Comportamentais afirma que
“Uma diferença entre cognitivistas e behavioristas parece estar no nível de rigor científico que permeia os conceitos teóricos de ambos os enfoques. Para os behavioristas radicais, aceitar o uso da palavra ‘cognição’ seria aderir a uma postura dualista, o que constituiria um sério problema metodológico. Deste modo, a referência às reações cognitivas como ‘comportamentos encobertos’ foi uma estratégia brilhante que estendeu o modelo operante à compreensão de fenômenos mais complexos. Cognitivistas-comportamentais também consideram as cognições como um sistema de respostas, mas não de uma forma tão compromissada com contingências e com termos precisamente impostos. Embora preocupados com validade empírica e expressão de conceitos operacionais, eles não são tão rigorosos do ponto de vista científico. [...] Outra diferença encontrada entre cognitivistas e behavioristas está na ênfase dada às contingências ambientais e às cognições. Enquanto o primeiro grupo busca encontrar crenças subjacentes para entender de que maneira as reações cognitivas influenciadas pelas afetivas/fisiológicas e comportamentais, o segundo processo procura saber que tipos de contingências levariam um comportamento a ocorrer e a influenciar outro comportamento. Deste modo behavioristas radicais enfatizam a determinação ambiental na compreensão dos comportamentos (abertos e encobertos) do indivíduo, enquanto cognitivo-comportamentais priorizam os processos cognitivos, considerando que o homem reage a um ambiente percebido e não a um ambiente real”.
Se levarmos em consideração essas colocações perceberemos que é um erro teórico confundir Psicologia Cognitiva - Comportamental ou Comportamental - Cognitiva com Análise do Comportamento.
No máximo podemos dizer que a Psicologia Cognitva-Comportamental é um tipo de Psicologia Cognitiva que se utiliza intensivamente de tecnologia criada pela Análise do Comportamento, mas que apesar disso continua sendo um tipo de Psicologia Cognitiva, pois não é embasada pelo Behaviorismo Radical - a filosofia de ciência que embasa a Análise do Comportamento.
Esse tipo de Behaviorismo é radical por que nega que os eventos mentais causam o comportamento humano e que aqueles tenham uma natureza diferente destes. Assim nega a existência de todos os eventos que não tenham uma explicação natural e aceita, obviamente, todos os eventos que tenham essa propriedade.
A Análise do Comportamento é uma Ciência Natural que se divide em três partes
“O seu braço teórico, filosófico, histórico, seria chamado de Behaviorismo Radical. O braço empírico seria classificado como Análise Experimental do Comportamento. O braço ligado à criação e administração de recursos de intervenção social seria chamado de Análise Aplicada do Comportamento”. (TOURINHO, 1999 apud CARVALHO NETO, 2002)
Uma das marcas mais interessante da Análise do Comportamento é sua aplicação que está difundida em vários contextos. Starling (2003) afirma que a Análise do Comportamento é constituída de várias áreas de intervenção
“Da Modificação do Comportamento, da Intervenção Clínica Analítico-comportamental, da Tecnologia do Ensino, da Análise Comportamental das Organizações (Organizational Behavior Management ou Performance Appraisal), da Medicina do Comportamento e da Análise Funcional da Enfermidade (contextos médico-hospitalares) além de aplicações particularizadas, tais como em problemas sociais (Behavior Analysis for Social Action), autismo, engenharia de segurança, marketing, etc.”
O mais importante de tudo é entendermos que não podemos falar do que não sabemos. A psicologia brasileira e especialmente a piauiense carece muito de aprofundamento teórico e na grande maioria das vezes os erros cometidos por estudantes e profissionais de Psicologia derivam da falta de leitura e compreensão das escolas de pensamento que fazem a Psicologia.
Starling (2003) afirma que
“É somente através do conhecimento da matriz conceitual como um todo, na plena articulação dos seus componentes, que se pode apreciar criticamente a ciência do comportamento [Análise do Comportamento] e talvez por isso, e por ser um campo lingüístico muito recente (tem menos de 50 anos), é uma proposição ainda virtualmente desconhecida, mesmo no meio profissional da psicologia e áreas afins. O pouco que habitualmente se conhece – e se critica - restringe-se o mais das vezes a um entendimento fragmentário do primitivo Behaviorismo S-R (estímulo-resposta), já há muitas décadas de interesse somente histórico para o analista do comportamento.”

Fonte: https://psicologado.com.br/abordagens/comportamental/diferenca-entre-a-psicologia-comportamental-e-a-analise-do-comportamento
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O que é o TOC e quais são os seus sintomas

Medos exagerados de se contaminar, lavar as mãos a todo o momento, revisar diversas vezes a porta, o fogão ou o gás ao sair de casa, não usar roupas vermelhas ou pretas, não passar em certos lugares com receio de que algo ruim possa acontecer depois, ficar aflito por que as roupas não estão bem arrumadas no guarda-roupa, ou os objetos não estão exatamente no lugar em que deveriam estar, são alguns exemplos de sintomas característicos  de  um transtorno: o transtorno obsessivo-compulsivo ou TOC e que são popularmente conhecidos como "manias" (de limpeza, de verificar as portas, de arrumação)


O que é o TOC

O TOC é um transtorno mental caracterizado pela presença de obsessões, compulsões ou ambas. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens indesejáveis e involuntários, que invadem a consciência causando acentuada ansiedade ou desconforto e obrigando o indivíduo a executar rituais ou compulsões que são atos físicos ou mentais realizados em resposta às obsessões, com a intenção de afastar ameaças (contaminação, a casa incendiar), prevenir possíveis falhas ou simplesmente aliviar um desconforto físico. No TOC os indivíduos procuram ainda evitar o contado com determinados lugares (por exemplo, banheiros públicos, hospitais, cemitérios), objetos que outras pessoas tocam (dinheiro, telefone público, maçanetas) ou até mesmo pessoas (mendigos, pessoas com algum ferimento) como forma de obter alívio dos seus medos e preocupações. São as evitações.

Os sintomas do TOC

Uma das características intrigantes do TOC é a diversidade dos seus sintomas (medos de contaminação/lavagens, dúvidas excessivas seguidas de verificações, preocupação exagerada com ordem/simetria ou exatidão, pensamentos de conteúdo inaceitável (violência, sexuais, ou blasfemos), compulsão por armazenar objetos sem utilidade e dificuldade em descarta-los - ou colecionismo). Um mesmo indivíduo pode apresentar uma diversidade de sintomas, embora geralmente exista um que predomine.

O diagnóstico do TOC

Para  que seja estabelecido o diagnóstico de TOC é necessário que as obsessões ou compulsões consumam um tempo razoável (por exemplo, tomam mais de uma hora por dia) ou causem desconforto clinicamente significativo, ou comprometam a vida social, ocupacional, acadêmica ou outras áreas importantes do funcionamento do indivíduo. Os sintomas obsessivo-compulsivos não podem ser atribuídos ao efeito fisiológico direto de uma substancia (p.ex. droga de abuso ou a uma medicação) ou a outra condição médica como doenças psiquiátricas, que também podem ter entre seus sintomas - obsessões e ou compulsões (por exemplo: dependência a drogas, comer compulsivo, jogo patológico). As obsessões e compulsões também  não podem ser consequência de doenças neurológicas.

Epidemiologia

Considerado raro até a pouco tempo, o TOC é um transtorno mental bastante comum, acometendo aproximadamente um em cada 40  a 60 indivíduos ou ao redor de 2,5% das pessoas ao longo da vida, ou ao redor de 1% em determinado momento. No Brasil, é provável que existam ao redor de 2 milhões de indivíduos com o transtorno. Seu início em geral é na adolescência mas, não raro, na infância. Os sintomas podem ser de intensidade leve, mas não raro são muito graves e até incapacitantes. O TOC tende a ser crônico, com os sintomas crescendo ou diminuindo de intensidade ao longo do tempo. Se não tratado pode acompanhar o indivíduo ao longo de toda a sua vida, pois raramente melhora espontaneamente.

Por que o TOC é importanteO TOC é considerado uma doença mental importante por vários motivos: é um transtorno bastante comum, que  começa geralmente muito cedo - muitas vezes ainda na infância e em geral na adolescência.  Se não for tratado é raro o desaparecimento espontâneo dos sintomas que tendem se manter por toda a vida com flutuações na intensidade, com períodos em que praticamente desaparecem, seguidos de outros em que retornam com grande intensidade.
Os sintomas não raro são muito graves e incapacitantes, causa sofrimento e interferência significativa nas relações sociais e familiares e no desempenho ocupacional. Pesquisas apontam que pessoas com TOC tendem a ser divorciadas, desempregadas, de baixo nível sócio econômico e ainda costumam utilizar mais os serviços de saúde do que a população geral.
Considerado raro até a pouco tempo, sabe-se hoje que o TOC é um transtorno mental bastante comum, acometendo entre 1,6 a 2,3% das pessoas ao longo da vida, ou 1.2% no período de 12 meses. Um estudo realizado em nosso meio verificou uma prevalência de 3,3% de TOC e 18,3% de sintomas obsessivo-compulsivos em alunos do ensino médio em Porto Alegre.No entanto, apesar desses altos índices, apenas um reduzido número de adolescentes já havia sido diagnosticado com TOC anteriormente à pesquisa (9,3%) e um percentual ainda menor recebia tratamento para a doença (6,7%).Calcula-se que aproximadamente um em cada 40 a 60 indivíduos na população apresenta o TOC e é provável que no Brasil existam entre 3 e 4 milhões de pessoas acometidas pela doença.
Segundo a Organização Mundial da Saúde, o TOC é o quarto transtorno psiquiátrico mais comum, precedido apenas pela depressão, fobia social e abuso de substâncias. Foi considerado a quinta causa de incapacitação em mulheres dos 15 aos 44 anos nos países em desenvolvimento,sendo responsável por 2.2% da incapacitação por doenças em geral.
 Os sintomas não raro são muito graves e em aproximadamente 10% dos casos, os pacientes se tornam incapacitados para o trabalho, tornando-se inteiramente dependentes da família tanto no sentido financeiro como para a tomada das decisões mais banais. Um bom número de indivíduos afetados gasta uma partesignificativa do tempo de suas vidas na execução de rituais inúteis ou envolvidos em dúvidas e medos obsessivos. Em alguns casos o tempo consumido chega a um terço dos anos de vida ou até mais. O TOC está associado a um alto índice de demissões no trabalho em razão da interferência dos sintomas na produtividade. Está associado também a uma taxa maior de insucesso em levar adiante uma carreira, comprometendo portanto, de forma inequívoca, a vida do indivíduo e de sua família. Os indivíduos com TOC apresentam sérias dificuldades para conviver com as outras pessoas, para namorar e constituir sua própria família,tendo como consequências o isolamento social e a depressão.
Apesar das marcadas interferências na capacidade de viver o TOC ainda costuma ser sub-diagnosticado e muitos pacientes não buscam tratamento ou demoram muito tempo para fazê-lo. Estudo multicêntrico realizado no Brasil apontou que o tempo médio entre o início dos sintomas e a busca por tratamento em amostra de adultos pode chegar até 18,1 anos. Isto pode acontecer pelo fato de que o transtorno nem sempre é reconhecido como tal pelos indivíduos afetados ou por seus familiares, por ser ainda pouco investigado pelos profissionais da saúde quando fazem a avaliação dos seus pacientes e pelo receio que muitos indivíduos afetados apresentam de expor seus sintomas por vergonha e medo de serem ridicularizados e de sofrerem possíveis humilhações.
Os sintomas do TOC interferem de forma acentuada na vida da família que se sente obrigada a alterar rotinas, e seu funcionamento, a acomodar-se aos sintomas, muitas vezes participando dos rituais. É comum a restrição ao uso sofás, camas, roupas, toalhas, louças e talheres, bem como ao acesso a determinados locais da casa. Outros problemas típicos são a demora no banho, as lavagens excessivas das mãos, das roupas e do piso da casa. Em razão dessas exigências e imposições geral, são comuns as discussões e atritos, no sentido de não interromper os rituais ou de participar deles, dificuldades para sair de casa, atrasos, que comprometem em especial o lazer e a vida social da família. O TOC acaba, portanto, tendo repercussões sobre toda a família. Não raramente, os conflitos e dificuldades de relacionamento provocam a separação ou o divórcio de casais ou a demissão de empregos.
Por todos esses motivos o deve ser considerado um transtorno mental grave comparável em gravidade e em anos de incapacitação a transtornos psiquiátricos como a esquizofrenia e o transtorno bipolar, e como um importante problema de saúde.
Fonte: http://www.ufrgs.br
Preocupar-se excessivamente com sujeira, lavar as mãos a todo o momento, evitar o  uso de banheiros públicos, revisar repetidas vezes a porta, o fogão ou o gás antes de sair de casa ou ao deitar, necessidade exagerada de arrumar as coisas, ter medo de passar perto de cemitérios, funerárias ou de usar certas cores de roupa com medo de que possa acontecer algo de muito ruim, ser atormentado por dúvidas intermináveis ou por pensamentos "horríveis" são alguns dos inúmeros sintomas do Transtorno Obsessivo-Compulsivo ou TOC. Conhecidas popularmente como "manias" essas manifestações atormentam milhares de pessoas em todo mundo.  Muitas vezes são leves e quase imperceptíveis, mas não raro, são extremamente graves, podendo incapacitar a pessoa para o trabalho e impedí-la de relacionar-se socialmente.  Em geral elas são acompanhadas de ansiedade, medo e culpa, causam muito sofrimento, tomam tempo da pessoa e interferem nas rotinas pessoais, na vida social e da família. Muitas vezes não são reconhecidas como sintomas de uma doença o que faz com que as pessoas afetadas não busquem tratamento ou demorem muito para fazê-lo. 
Aristides Volpato Cordioli

SÍNDROME DO CUIDADOR


Paciente oculto é todo cuidador de pacientes crônicos que sofrem diversas patologias que são instaladas devido ao trabalho que o cuidado despende.
Inúmeros artigos tratam a temática da sobrecarga a que os cuidadores profissionais são submetidos, mas poucos se referem ao cuidador domiciliar que é o denominado “Paciente Oculto”, não existindo no sistema de saúde vigente, até o presente momento uma abordagem específica para o “Paciente oculto”. Há uma ausência de programas de assistências a eles direcionadas.
O “Paciente Oculto” desenvolve o que denomino “Síndrome do Cuidador”. A Síndrome do cuidador consiste no conjunto de sinais e sintomas desencadeados devido ao trabalho de fornecer cuidado a um doente crônico, sendo que tais sintomas são de cunho psíquico.
Quando um membro da família fica debilitado, pessoa portadora de AVC, idoso, portadores de doenças degenerativas (doença que causa alteração do funcionamento do corpo), a capacidade de auto-cuidado, de cuidar de si mesmo, de tomar banho, comer e ir ao banheiro ficam comprometidos, essa pessoa passa a necessitar de cuidados externos fornecidos por alguém.
Neste momento é comum que um dos membros familiares se encarregue de dar o suporte necessário ao doente com o objetivo de lhe proporcionar dignidade.
Este processo tem tempo indeterminado, e pode durar meses em caso de uma cura demorada ou ainda nunca ocorrer, como em casos de algumas patologias degenerativas. E, despender tal cuidado faz com que o familiar fique cansado, sendo terreno fértil para desencadear transtornos psíquicos, surgindo assim a “Síndrome do Cuidador”.
No desempenho diário de cuidar de um doente, faz-se necessário elaborar uma nova rotina, uma série de mudanças pessoais que afetam a vida do cuidador diretamente.
No início existe uma dedicação maior onde o cuidador acredita na melhora do doente a qualquer momento, independente de qual seja seu vinculo familiar. Com o passar do tempo surge no cuidador à frustração, pois sua dedicação não mostra melhora no doente, desencadeando então um impacto negativo de seus cuidados prestados dificultando uma adaptação integrada no processo do cuidador com o doente.
O “Paciente Oculto” desenvolve a partir daí a “Síndrome do Cuidador”, dando inicio a diversas variáveis como cansaço físico e mental, aumentando seus problemas sociais (problemas de relações humanas), dificultando o convívio no lar, diminuição na relação sexual, perda de apetite (diminuição do peso ou compulsão alimentar), sonos agitados (privação do sono destrói os mecanismos cerebrais que controlam as respostas emocionais aos fatores de estresse), cefaléia (dores de cabeça com freqüência, dores faciais) irritabilidade (reações as excitações externas), desencadeando estresse (pode ser definido como soma de respostas físicas e mentais causadas por estímulos externos), a ansiedade (de certa forma está interligada com a palavra medo) e depressão (conjunto de alterações comportamentais, emocionais e pensamento, tais como afastamento do convívio social, perda de interesse em atividades do dia a dia), dor precordial e dispnéia (dores no peito com falta de ar), sudorese abundante (transpiração aumentada) e em alguns casos ocorre a síndrome do pânico (enfermidade caracterizada por crises inesperadas de medo e desespero).
Ao detectar um desses sintomas o “Paciente Oculto” (cuidador) deve procurar ajuda médica e psicológica, para que consiga reeducar sua forma de pensar, organizando seu dia, de forma a cuidar do doente e também de si mesmo.
O “Paciente Oculto”, para admitir a necessidade da ajuda de um profissional precisa de coragem para admitir que precise de auxílio. A partir daí será mostrado ao “Paciente Oculto” a melhor forma de lidar emocionalmente e fisicamente com o doente. As diretrizes propostas são normas que orientam como deve ser efetuada a intervenção do profissional de modo a oferecer suporte indicando medidas para diminuição a sobrecarga do “Paciente Oculto” e conseqüentemente propiciando uma melhora em sua qualidade de vida, curando-o da “Síndrome do Cuidador”.

Fonte: Cristina Maria Lopes
Especialista em Psicologia Jurídica; Psicoterapeuta Clínica Cognitiva Comportamental; Psicoterapeuta de Casal; Psicoterapeuta em Sexualidade; Avaliação Neuropsicológica- Adulto e Idoso; Neurobiologia da Ansiedade; Ludoterapia; Hipnoterapeuta; Design Instrucional para EaD Virtual (UNIFEI).

SEXUALIDADE X DEMÊNCIA



A sexualidade na velhice continua sendo um tema negligenciado pelos profissionais de saúde e pela sociedade de uma forma geral.
As pessoas esquecem que, mesmo após a oitava década de vida, muitos idosos continuam sexualmente ativos, pelo menos no que diz respeito ao interesse sexual.
Mas se o sexo na velhice ainda é um tabu na sociedade, imagine discutir a sexualidade dos idosos dementes!
O assunto foi tema de uma das mesas do congresso brasileiro de geriatria e gerontologia, que terminou no sábado em Belém (Pará), e surpreendeu muita gente, inclusive a mim, que desconhecia a dimensão do problema.
Muitos profissionais de saúde relataram que idosos com demência podem apresentar uma hipersexualidade e comportamentos como tirar a roupa em público, acariciar os genitais ou tentar agarrar o cuidador ou alguém da família.
Alguns profissionais orientam os familiares a não reagir, lembrando que o comportamento é decorrente da doença, não por vontade própria do idoso. E, de maneira calma, tentar distrair a pessoa com outra atividade.
Um relato recorrente foi de idosos querendo fazer sexo várias vezes ao dia. Segundo os médicos, isso também pode fazer parte do quadro de demência. A pessoa não se lembra que havia acabado de fazer sexo e volta a sentir “desejo” novamente.
Esse comportamento sexual pode ser causado por uma hiperexcitação do sistema límbico (região do sistema nervoso central responsável pelas emoções e sexualidade). Isso ocorre pela própria doença ou por medicamentos utilizados.
A fluvoxamina, bupropiona e trazodona, por exemplo, podem aumentar a libido. Já a clomipramina e a fluoxetina podem provocar orgasmos espontâneos.
Esse é um assunto que precisa ser mais falado, discutido com o médico e outros profissionais de saúde. Muitas famílias, porém, ainda preferem esconder esses comportamentos, o que é um grande equívoco.
Ouvi relatos dramáticos, como o de uma psicóloga que atendeu uma idosa que sofre calada a violência sexual praticada pelo marido demente. Aos 78 anos, ela não sente mais desejo sexual, não tem lubrificação vaginal, mas aceita manter relações sexuais com o marido porque o sexo o “acalma”.
Outros relatos parecidos foram feitos, o que mostra que há muita coisa debaixo do tapete. A questão do aumento da incidência do HIV entre os idosos é algo que também preocupa os especialistas. Há estudos mostrando, por exemplo, que o vírus entre os idosos pode acelerar processos demenciais em razão de alterações neurológicas. Mais uma razão para estimular o teste do HIV entre essa população.
São tantos os problemas de saúde (doenças crônicas e degenerativas) e sociais (falta de uma rede de cuidados) envolvendo a terceira idade que a sexualidade foi deixada em segundo plano por muito tempo.
Mas os novos velhos vêm desafiando o estereótipo tradicional da “velhice assexuada”. Com os medicamentos que permitem manter a ereção e a reposição de hormônios femininos perdidos na menopausa, a vida sexual deixou de ser datada. Agora, é preciso entender essas mudanças e criar condições para que elas se fortaleçam de forma segura.
Fonte: Folha de São Paulo.
By Berna Almeida

1. Viver com bondade
Ninguém mais do que você próprio merece bondade e compaixão. Sempre que estiver em sofrimento, sempre que toma uma decisão errada, diz algo estúpido, está prestes a desvalorizar-se, sempre que pensa em alguém com quem está a passar um mau bocado, sempre que se sente confuso, sempre que vê alguém em dificuldades, zangado ou irritado, pode parar e trazer amor, bondade e compaixão. Respirando suavemente, repita silenciosamente: Quero ficar bem, quero ficar feliz, estou cheio de amor e bondade
2. Ficar mais leve
Numa situação de stress, é fácil perder o contacto com a bondade e a paz interior; num estado de relaxamento a mente está límpida e é possível ligar-se a um sentimento de propósito e altruísmo. Quer meditação quer medicação derivam da palavra latina medicus, ligada a curar ou cuidar. Um período de calma e sossego é, portanto, o remédio mais eficaz para uma mente ocupada e sobrecarregada. Sempre que sentir o stress a aparecer e a mente a ficar oprimida, traga a sua atenção para a respiração e repita a cada inspiração e expiração: Inspirando, acalmo o corpo e espírito; expirando, sorrio.
3. Pensar menos em nós próprios
A quietude está sempre entre pensamentos, por detrás da história, para além do ruído. O que nos impede de sentir o nosso ser no estado natural é a habitual forma de pensar dominada pelo ego. A meditação permite-nos ver de forma clara, testemunhar os pensamentos e comportamentos e aumentar o distanciamento. Sem esta prática de auto reflexão não há forma de travar as exigências do ego. Em vez de focados em nós, podemo-nos focar nos outros, preocupados com o bem estar geral
4. Dissolver a raiva e o medo
Não é fácil aceitar libertarmo-nos dos sentimentos negativos, é mais fácil recalcá-los e renegá-los. Mas quando os negamos, provocamos vergonha, raiva e ansiedade. A meditação convida-nos a abertamente enfrentar estes lugares e verificar como o egoísmo, aversão e ignorância criam dramas e temores. Por detrás, está a quietude onde pode conhecer-se a si próprio de forma maravilhosa e empolgante. Quer seja por 10 minutos, quer seja todo o dia, liberte-se das limitações ao mesmo tempo que se abre à aceitação e consciência de si próprio.
5. Despertar o perdão
O perdão é a melhor coisa que pode dar a si próprio e aos outros. Quando se senta para meditar e observar os pensamentos e sentimentos, consegue ver que o que é agora, é diferente do que era há uns momentos, dias ou semanas atrás. Quem você, ou outra pessoa, era no momento em que foi causada dor já não é quem é agora. Quando toma contacto com as suas ligações essenciais, consegue ver que ignorá-las cria separação e sofrimento, pelo que o perdão dessa ignorância surge espontaneamente.
6. Gerar a bondade
Simplesmente através da intenção de causar menos dor, consegue trazer mais dignidade ao mundo, substituindo a ofensa por bondade e o desrespeito por respeito. A dor é causada normalmente sem intenção, ou seja porque os sentimentos de alguém foram ignorados, ou porque nos desvalorizamos, desleixamos a aparência, ou nos vemos como incompetentes. Qual a quantidade de culpa ressentimento e vergonha que conservamos e que perpetuam a dor? A meditação permite a transformação através do reconhecimento da bondade essencial e da preciosidade da vida.
7. Apreciar a gratidão
Dedique um momento a apreciar a cadeira onde está sentado. Pense como foi feita: madeira, tecido, fibras, árvores e plantas utilizadas, a terra que alimentou as árvores, o sol e a chuva, os animais que talvez tenham dado as suas vidas, as pessoas que prepararam os materiais, a fábrica onde a cadeira foi feita, o designer, o carpinteiro, a loja que a vendeu. Tudo isto para que você esteja sentado aí e agora. Agora estenda a sua profunda gratidão a tudo e todos na sua vida
8. Estar consciente
A consciência é questão chave para o despertar. Através da consciência consegue ver os equívocos da sua mente e toda a confusão que geram. Quase tudo o que fazemos é para conseguir algo: se fizermos isto, obtemos aquilo, se fizermos aquilo, acontece qualquer coisa. Mas em meditação apenas faz. Não há outro propósito para além de estar aqui no momento presente sem pretender alcançar isto ou aquilo. Está apenas consciente do que está a acontecer, quer seja agradável ou não. Não há julgamento, nem certo, em errado. Simplesmente consciência. Desfrute!.
Fonte: http://www.hierophant.com.br/arcano/posts/view/Nina/3910 
Adaptado do: 8 ways meditation can change your live por  Ed and Deb Shapiro

Cedo ou tarde, chega um momento que tudo o que mais desejamos na vida é paz, quietude e serenidade, em todas as esferas, profissional, familiar e amorosa.
É que cansa esse negócio de sofreguidão, de correr, de querer manipular, dominar, se sentir menos ou mais… é natural a busca pelo equilíbrio, pela paz de espírito – pelo menos, é o que deveria ser.
O despertar para a quietude acontece gradativamente e há aqueles que mesmo mais maduros ainda estão nessa correria incansável de não paz. Ainda não perceberam que podem desacelerar e deixar que as coisas aconteçam no fluxo natural, na divina sincronia. Pensam que se soltarem as rédeas tudo irá desandar, e por isso se sentem escravos daquilo que eles acham que manipulam ou dominam. Mal eles sabem que são eles os manipulados.
Você não nasceu pra isso.
Entender isso parte da observação, e isso só ocorre quando nos colocamos em estado de presença. É importante compreender que o material humano é diferente da máquina, que vem dominando a humanidade desde a sua revolução. É bom dar um tempo para ser mais orgânico.
É preciso haver mais confiança para as coisas, sem precisar morrer por elas. Uma vida “low profile” é algo que não se vê nas cidades, onde o tempo sempre corre, o relógio é mecânico, e o biológico é ignorado pois quem pensa no corpo quando a vida pede pressa ?
Seguimos com as mentes condicionadas, por pensamentos coletivos, sendo alimentados pelo medo, e isso de forma literal, quando tvs são ligadas em volume e a colher que vai a boca não é de comida é de notícia, tragédia, desgraça e medo. Vivem na babilônia do céu mais cinzento.
E então, chega um momento que alguns despertam para tal realidade. É isso mesmo que é a vida? Pagar contas, acordar cedo, dormir tarde, não ver os filhos cresceram e juntar dinheiro, ficar doente, gastar dinheiro para ter saúde e viver feliz quando essa felicidade está sempre a um passo a frente?
A inquietude rege os pensamentos que não permitem a contemplação e o estado de observação. A mente condicionada pede para fazer algo, e qualquer hiato desse tempo que possibilita a paz e silêncio, esta mesma mente não relaxa pois se sente culpada ou entediada diante da oportunidade de apensas sentar, tomar uma respiração consciente e relaxar. De apenas ser.
Temos a chance de sair dessa caixa e perceber o universo de possibilidades e potencialidades disponíveis! De “Des Cobrir-se”!
É preciso entregar a vida para o fluxo divino, na confiança, e não somente em sí mas nos propósito a qual somos todos guiados.
É bom às vezes soltar e perceber que tudo está como deveria estar. Aceitar e confiar, trazer paz ao espirito.
Viver com mais fé, permitindo que a vida aconteça podendo ser parte dela com mais coragem e otimismo.
Conecte-se mais com a natureza, coloque mais o pé no chão e se sintonize com esta força. Não à toa nos sentimos bem junto ao ambiente natural, às arvores, rios, mares… pois é da natureza que pertencemos.
Desligue-se daquilo de te envenena. Desconecte-se das pessoas que nada acrescentam. Direcione sua vida para aquilo que te faz bem e confia!
Agradeças, seja mais grato ao que já conquistou e sinta-se merecedor de todas as coisas boas que estão a caminho, sem precisar sofrer por elas. Tudo é perfeito e tudo segue o seu divino propósito. Confia e apenas, seja.
Fonte: http://www.bemmaismulher.com/desligue-se-daquilo-que-te-envenena/

Alzheimer: O que fazer e o que não fazer!











tags: doença de Alzheimer, sintomas, Alzheimer tratamento, cuidadores, dicas aos cuidadores, o que não fazer, como cuidar, orientações para Alzheimer, dicas em demências, como cuidar nas demências, cuidar no Alzheimer

Por Maramélia Miranda ** (Atualizado em Setembro de 2016)

Aos cuidadores, familiares, pessoas que moram ou convivem com pacientes que tem o diagnóstico de Demência por Doença de Alzheimer, ou outros tipos de demência menos comuns, abaixo relaciono uma listinha do que devemos e do que não devemos fazer no cuidado diário destas pessoas.

Tarefas da vida diária: Deixá-los dependentes, ou independentes?!
Nos estágios mais leves e iniciais, os cuidadores e familiares podem, e DEVEM!!! Devem tentar manter os portadores de demências o máximo independentes possível, respeitando, é claro, o que poderão realizar de atividades de vida diária.
A reação inicial, por instinto protetor, e como forma de cuidar, proteger ou ajudar poderia ser, por exemplo, tentar ajudar o doente em tudo!!! Está errado! O cuidar é mais complexo nestes casos. Às vezes, melhor cuidar significa tentar fazer a pessoa doente fazer aquela tarefa… Ajudando-a apenas quando é preciso. Portanto,a seguir relatamos algumas diquinhas importantes:

No dia-a-dia…

* Crie uma rotina – Planejando o dia, os horários, de alimentar-se, almoçar, tomar os remédios, banhar-se, vestir-se, passear na rua, ou no jardim, etc, cria uma ordem, e menor confusão na mente dos idosos com Alzheimer, ou com outros tipos de demência.

* “Muita calma nessa hora” – Ter calma é uma das regras básicas para os cuidadores e famílias de idosos com demências. É óbvio que eles não irão se vestir no mesmo tempo que você se veste. Se você ou o cuidador são impacientes, o que acontecerá? Você ou quem cuida tenderá a fazer a atividade pela pessoa, como, por exemplo, se vestir ou escovar os dentes, ou tomar o banho. Isso cria um ciclo vicioso, onde o doente perderá lentamente a capacidade de fazer ou ajudar a fazer aquela tarefa. Você ou o cuidador pensará: “Ganho tempo vestindo-o mais rápido”. Doce ilusão. Você o acostumará a não fazer aquilo, e depois de algumas semanas, você terá mais trabalho, e ele (ou ela) não te ajudará em mais uma coisa, e a tendência é tudo piorar. É uma verdadeira bola de neve. Moral da história? Tenha calma, e deixe que o doente faça o MÁXIMO de coisas que possa fazer, mesmo que com sua pequena supervisão… Confie em mim… Isso fará com que o declínio para fazer estas tarefas seja mais lento.
* Limite as escolhas possíveis – Se for o caso de uma escolha de roupas, por exemplo, não mostre o armário todo, e prefira dar duas opções de camisa ou calça, ou vestimenta, por exemplo. O idoso, que já está meio confuso por causa da doença, irá te agradecer por você facilitar a mente dele. Para mulheres, por exemplo, não transforme a escolha de um acessório num transtorno; elimine escolhas como brincos ou colares, cintos ou correntes, etc. Quanto menores as opções, mais fáceis as escolhas e o trabalho mental dos doentes, e menor a possibilidade de se criar irritação e confusão mental, ou agitação nestas horas…

* Oriente instruções simples – Ao orientar como fazer uma tarefa, não instrua tudo de uma vez. Um passo de cada vez facilitará o seu trabalho como cuidador, e o entendimento do paciente. E poderá evitar, inclusive, que este fique nervoso, irritado em não conseguir fazer o que no passado conseguia mais facilmente.

* Reduza distrações durante uma tarefa – Ao comer, se possível, desligue a TV; ao vestir o doente, por exemplo, evite conversar sobre outro assunto; tentar fazer uma tarefa de cada vez, sem arrumar outras distrações durante aquela ação, facilita o fazer para o paciente, e agiliza o terminar da tarefa para o cuidador.

* Seja flexível quando precisar mudar algo – Se o doente não gosta mais daquela comida, ajuste o cardápio; se só quer agora usar a mesma roupa todos os dias, tente comprar outras roupas semelhantes, até mesmo iguais, e durante o banho dele, troque a roupa suja pela nova igualzinha… Esqueça de tentar convencê-lo do contrário, quando o doente insistir fixamente naquela ideia. Não se desgaste, nem desgaste a pessoa doente.

Na segurança…

* Previna quedas – Evite ter tapetes pela casa, muitos móveis atrapalhando o caminho, espaços pequenos e apertados, caminhos muito sinuosos. Se puder, instale barras para ajudar a pessoa a se equilibrar e evitar quedas, em locais mais críticos (como banheiros, escadas, corredores longos, ou nos boxes dos banheiros, por exemplo).

* “Armas” domésticas – Não deixe medicamentos, álcool, fogo, armas de fogo (revólveres, por exemplo), ferramentas pesadas ou utensílios domésticos mais perigosos, como facas e garfos afiados, ao alcance de pessoas com demência. Ou você deve arrumar uma fechadura para os armários e gavetas contendo isso, ou deixe-os em local inacessível ou desconhecido da casa.

* Queimaduras com água – Mantenha a temperatura do aquecimento da água em nível ameno. Isso previne queimadura em alguma situação imprevisível (por exemplo, o doente ir banhar-se sem sua ajuda).

Agitação e agressividade

Esta é uma das principais queixas de quem cuida de pessoas com demências ou muito idosos, em casas ou hospitais. Os sintomas de agitação, gemência, tremores, inquetação, chegando até mesmo a casos com gritos ou agressividade, são muito, muito frequentes… E vocês, família ou cuidadores, podem evitá-los consultando, inicialmente, o médico que assiste aquele doente, que poderá dar alguma medicação para este controle. Mas além disso, existem algumas medidas tão simples, que podem ajudar imensamente a reduzir que isso ocorra.
Para confusões e agitação…
* Observe se há algum padrão de agitação no seu paciente / familiar – É frequente um horário mais comum quando estes pacientes ficam mais inquietos e agitados. Isso é comum no final do dia, no entardecer, ou começo da noite. Fique atento aos horários mais comuns em que isso ocorre no seu familiar, ou paciente, para informar isso ao médico, e para que possa fazer algumas estratégias de como reduzir isso.
* Medidas simples para reduzir delirium / agitação – Delirium é como médicos e neuros chamam estas agitações frequentes em Alzheimer. Ocorre pela própria doença, e este problema pode ser minimizado com medidas simples, como, por exemplo, deixar a pessoa em local iluminado, arejado, abrindo bem as janelas durante o dia, para que a pessoa perceba que o dia está acabando e a noite irá chegar. Deixar a pessoa fechada, reclusa, sem noção do tempo, piora este sintoma frequente em portadores de demências. Outra coisa legal de se fazer é sempre deixar a pessoa portadora de demência com objetos conhecidos seus, um rádio, um souvenir, seu próprio óculos, ou, por exemplo, quando está fora de sua casa, com seu travesseiro, seu cobertor. Manter a pessoa próximo de sua rotina e de seus pertences dá uma segurança para o portador de demência, e pode reduzir a ocorrência destas agitações.
* Agitação à noite e durante madrugada – É beeeeemmmm frequente. Principalmente se você deixar o vovô ou a vovó dormir um monte durante o dia!!!! É óbvio que o paciente tenderá a trocar o dia pela noite, e a situação pode ficar literalmente infernal para ambas as partes… Nestes casos, sempre lembrar que o dia é para ficar desperto, e a noite é para dormir. Pode dar cochilos? Pode. Mas em horários curtos, no máximo 1-2 horinhas à tarde. Apenas. Se a agitação, gemência, e confusão mental ficarem muito intensas mesmo fazendo estas medidas de não deixar dormir de dia, tem que falar com o médico, para que se prescreva algum remédio sedativo para ajudar na insônia e delirium noturno.

* Medidas simples de higiene do sono – O básico do básico para evitar qualquer tipo de insônia também se aplica para os casos de Alzheimer e outras demências:
— Evitar grandes refeições em horários muito tarde da noite; Evitar alimentos e bebidas psicoestimulantes (açucar, chocolates, cafeína, chás fortes, etc). Evitar ter TV dentro do quarto de dormir. Evitar contato com celulares e computadores; Evitar locais barulhentos. Instalar janelas anti-ruídos, se o local da casa ou apartamento for muito barulhento; Se possível e o paciente gostar, usar músicas relaxantes no horário do sono…

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista com formação pela UNIFESP-EPM, editora do blog iNeuro.com.br.
Fontes:
http://www.ineuro.com.br/

Imagem: http://cefal-unifal.blogspot.com.br/

Por que falas sem sentido são comuns em idosos com Alzheimer?


velhinhos

“- Em que país nós estamos?
– Porque a única coisa que a gente faz é levantar de manhã!”
A conversa acima parece bem estranha, certo? Essa conversa foi citada como um exemplo de fala bizarra de pacientes que sofrem com demência de Alzheimer, em uma pesquisa realizada por Trahan, Donaldson, McNabney e Kahng (2014). Frases aparentemente sem sentido ou colocadas fora de contexto são um dos sintomas observados em idosos com demência. Quem observa de fora tem a sensação de que essas vocalizações surgem “do nada”. Mas será que é assim mesmo?
Os pesquisadores citados acima desenvolveram uma série de estudos para tentar descobrir se existe algo no ambiente desses idosos que influencie na probabilidade de falas sem sentido acontecerem. Participaram três idosos com demência severa ou moderada que moravam em uma casa de repouso (local onde o experimento foi conduzido). Nos três estudos o experimentador se posicionava um pouco afastado do participante e dizia que ficaria ali trabalhando em alguma atividade.
No primeiro estudo, os pesquisadores criaram três situações: uma em que, quando ocorresse uma fala bizarra o experimentador daria atenção ao participante durante cerca de 10 segundos; uma em que o experimentador pedia para o participante ajudar em alguma tarefa, independente da fala sem sentido ocorrer; e uma em que, a cada 10 segundos o experimentador dava atenção ao participante, independente do que este estivesse fazendo. Os pesquisadores observaram que a quantidade de fala sem sentido, para os três participantes, foi maior na situação em que a atenção era dada, independente do que os participantes estivessem fazendo.
No segundo estudo, os experimentadores estavam interessados em entender se aspectos presentes no ambiente antes de as falas bizarras acontecerem teriam alguma influência em sua ocorrência. Para isso, novamente três situações foram arranjadas: uma em que o experimentador fazia perguntas que requeriam respostas de “sim” ou “não”(ex. “Hoje é segunda-feira?”); outra em que eram feitas perguntas abertas (ex. “Que dia é hoje?); e uma terceira em que o experimentador fazia comentários diversos sobre aspectos do dia-a-dia (ex.: “Hoje é segunda-feira.”), como se estivesse puxando conversa. Os resultados mostraram que na situação em que os participantes deveriam responder questões abertas, o número de falas bizarras foi maior do que nas outras situações.
Por último, os pesquisadores realizaram um estudo em que queriam entender se o que acontecia depois da fala sem sentido poderia influenciar na probabilidade de ela ocorrer novamente. Cinco situações diferentes foram arranjadas. Em quatro delas o experimentador fazia perguntas abertas e em uma delas fazia perguntas que levavam a respostas “sim” ou “não”. As situações com perguntas abertas foram: corrigir o participante depois que ele falasse algo sem sentido; continuar a conversa como se estivesse concordando com a frase dita, mesmo que ela não fizesse sentido; dar um intervalo de 10 segundos na interação com os idosos (lembrando que essa interação consistia em fazer perguntas) quando a fala bizarra acontecesse; e fazer uma nova pergunta após a resposta com fala bizarra. Os resultados mostraram que não houve diferença na quantidade de falas bizarras nas quatro situações com perguntas abertas e, novamente, na situação que envolvia respostas de “sim/não”, a ocorrência desse tipo de fala foi menor.
A partir desses resultados os pesquisadores discutiram que 
(1) a atenção gera maior probabilidade de falas sem sentido. Isso ocorreria, provavelmente, porque ter a atenção de alguém é uma situação propícia para conversa e, com o aumento da probabilidade do conversar viria o aumento da probabilidade de uma fala bizarra acontecer. Além disso 
(2) o tipo de pergunta parece ser uma variável importante. Aparentemente, as perguntas abertas, que requerem respostas mais elaboradas, geram mais falas sem sentido.
Esses resultados os levaram a pensar que pode ser possível aumentar a eficácia da comunicação com idosos com demência, se perguntas mais adequadas forem usadas. Por exemplo, ao invés de perguntar “O que você pretende fazer nesse fim de semana?”, seria mais adequado perguntar “Você pode me dar alguns exemplos de coisas que pretende fazer nesse fim de semana?”. O segundo tipo de pergunta leva a respostas mais objetivas, o que pode ser mais fácil para o idoso.
E sabe do que mais? Nesta pesquisa, nas situações em que os participantes respondiam questões de “sim/não”, em geral outros tipos de vocalizações ocorriam em seguida e, na grande maioria das vezes, era falas que faziam perfeito sentido!
Um aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de o que acontecia depois das falas não influenciar na frequência da ocorrência dessas falas no futuro. É sabido que ser sensível às consequências de um comportamento é muito importante para a aprendizagem e manutenção de comportamentos. Por isso o estranhamento em relação a esse resultado! Por outro lado, é também sabido que demências em fase moderada ou severa são resultados de intensas mudanças neurológicas. Talvez essas mudanças gerem uma insensibilidade às consequências e essa insensibilidade seja responsável, em parte, por vários dos sintomas das demências e assim, expliquem esses resultados.
Pesquisas como essas nos dão pistas de como melhorar a comunicação com pessoas com demência moderada e severa, o que reflete diretamente na qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores.
Quer saber mais!?
Trahan, M. A., Donaldson, J. M., Mcnabney, M. K., & Kahng, S. (2014). The influence of antecedents and consequences on the occurrence of bizarre speech in individuals with dementia. Behavioral Interventions, 29 (4), 286–303.
Postado por Natalia Aggio, pos-doc do Departamento de Psicologia da UFSCar. Bolsista CAPES.
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