1. Viver com bondade
Ninguém mais do que você próprio merece bondade e compaixão. Sempre que estiver em sofrimento, sempre que toma uma decisão errada, diz algo estúpido, está prestes a desvalorizar-se, sempre que pensa em alguém com quem está a passar um mau bocado, sempre que se sente confuso, sempre que vê alguém em dificuldades, zangado ou irritado, pode parar e trazer amor, bondade e compaixão. Respirando suavemente, repita silenciosamente: Quero ficar bem, quero ficar feliz, estou cheio de amor e bondade
2. Ficar mais leve
Numa situação de stress, é fácil perder o contacto com a bondade e a paz interior; num estado de relaxamento a mente está límpida e é possível ligar-se a um sentimento de propósito e altruísmo. Quer meditação quer medicação derivam da palavra latina medicus, ligada a curar ou cuidar. Um período de calma e sossego é, portanto, o remédio mais eficaz para uma mente ocupada e sobrecarregada. Sempre que sentir o stress a aparecer e a mente a ficar oprimida, traga a sua atenção para a respiração e repita a cada inspiração e expiração: Inspirando, acalmo o corpo e espírito; expirando, sorrio.
3. Pensar menos em nós próprios
A quietude está sempre entre pensamentos, por detrás da história, para além do ruído. O que nos impede de sentir o nosso ser no estado natural é a habitual forma de pensar dominada pelo ego. A meditação permite-nos ver de forma clara, testemunhar os pensamentos e comportamentos e aumentar o distanciamento. Sem esta prática de auto reflexão não há forma de travar as exigências do ego. Em vez de focados em nós, podemo-nos focar nos outros, preocupados com o bem estar geral
4. Dissolver a raiva e o medo
Não é fácil aceitar libertarmo-nos dos sentimentos negativos, é mais fácil recalcá-los e renegá-los. Mas quando os negamos, provocamos vergonha, raiva e ansiedade. A meditação convida-nos a abertamente enfrentar estes lugares e verificar como o egoísmo, aversão e ignorância criam dramas e temores. Por detrás, está a quietude onde pode conhecer-se a si próprio de forma maravilhosa e empolgante. Quer seja por 10 minutos, quer seja todo o dia, liberte-se das limitações ao mesmo tempo que se abre à aceitação e consciência de si próprio.
5. Despertar o perdão
O perdão é a melhor coisa que pode dar a si próprio e aos outros. Quando se senta para meditar e observar os pensamentos e sentimentos, consegue ver que o que é agora, é diferente do que era há uns momentos, dias ou semanas atrás. Quem você, ou outra pessoa, era no momento em que foi causada dor já não é quem é agora. Quando toma contacto com as suas ligações essenciais, consegue ver que ignorá-las cria separação e sofrimento, pelo que o perdão dessa ignorância surge espontaneamente.
6. Gerar a bondade
Simplesmente através da intenção de causar menos dor, consegue trazer mais dignidade ao mundo, substituindo a ofensa por bondade e o desrespeito por respeito. A dor é causada normalmente sem intenção, ou seja porque os sentimentos de alguém foram ignorados, ou porque nos desvalorizamos, desleixamos a aparência, ou nos vemos como incompetentes. Qual a quantidade de culpa ressentimento e vergonha que conservamos e que perpetuam a dor? A meditação permite a transformação através do reconhecimento da bondade essencial e da preciosidade da vida.
7. Apreciar a gratidão
Dedique um momento a apreciar a cadeira onde está sentado. Pense como foi feita: madeira, tecido, fibras, árvores e plantas utilizadas, a terra que alimentou as árvores, o sol e a chuva, os animais que talvez tenham dado as suas vidas, as pessoas que prepararam os materiais, a fábrica onde a cadeira foi feita, o designer, o carpinteiro, a loja que a vendeu. Tudo isto para que você esteja sentado aí e agora. Agora estenda a sua profunda gratidão a tudo e todos na sua vida
8. Estar consciente
A consciência é questão chave para o despertar. Através da consciência consegue ver os equívocos da sua mente e toda a confusão que geram. Quase tudo o que fazemos é para conseguir algo: se fizermos isto, obtemos aquilo, se fizermos aquilo, acontece qualquer coisa. Mas em meditação apenas faz. Não há outro propósito para além de estar aqui no momento presente sem pretender alcançar isto ou aquilo. Está apenas consciente do que está a acontecer, quer seja agradável ou não. Não há julgamento, nem certo, em errado. Simplesmente consciência. Desfrute!.
Fonte: http://www.hierophant.com.br/arcano/posts/view/Nina/3910 
Adaptado do: 8 ways meditation can change your live por  Ed and Deb Shapiro

Cedo ou tarde, chega um momento que tudo o que mais desejamos na vida é paz, quietude e serenidade, em todas as esferas, profissional, familiar e amorosa.
É que cansa esse negócio de sofreguidão, de correr, de querer manipular, dominar, se sentir menos ou mais… é natural a busca pelo equilíbrio, pela paz de espírito – pelo menos, é o que deveria ser.
O despertar para a quietude acontece gradativamente e há aqueles que mesmo mais maduros ainda estão nessa correria incansável de não paz. Ainda não perceberam que podem desacelerar e deixar que as coisas aconteçam no fluxo natural, na divina sincronia. Pensam que se soltarem as rédeas tudo irá desandar, e por isso se sentem escravos daquilo que eles acham que manipulam ou dominam. Mal eles sabem que são eles os manipulados.
Você não nasceu pra isso.
Entender isso parte da observação, e isso só ocorre quando nos colocamos em estado de presença. É importante compreender que o material humano é diferente da máquina, que vem dominando a humanidade desde a sua revolução. É bom dar um tempo para ser mais orgânico.
É preciso haver mais confiança para as coisas, sem precisar morrer por elas. Uma vida “low profile” é algo que não se vê nas cidades, onde o tempo sempre corre, o relógio é mecânico, e o biológico é ignorado pois quem pensa no corpo quando a vida pede pressa ?
Seguimos com as mentes condicionadas, por pensamentos coletivos, sendo alimentados pelo medo, e isso de forma literal, quando tvs são ligadas em volume e a colher que vai a boca não é de comida é de notícia, tragédia, desgraça e medo. Vivem na babilônia do céu mais cinzento.
E então, chega um momento que alguns despertam para tal realidade. É isso mesmo que é a vida? Pagar contas, acordar cedo, dormir tarde, não ver os filhos cresceram e juntar dinheiro, ficar doente, gastar dinheiro para ter saúde e viver feliz quando essa felicidade está sempre a um passo a frente?
A inquietude rege os pensamentos que não permitem a contemplação e o estado de observação. A mente condicionada pede para fazer algo, e qualquer hiato desse tempo que possibilita a paz e silêncio, esta mesma mente não relaxa pois se sente culpada ou entediada diante da oportunidade de apensas sentar, tomar uma respiração consciente e relaxar. De apenas ser.
Temos a chance de sair dessa caixa e perceber o universo de possibilidades e potencialidades disponíveis! De “Des Cobrir-se”!
É preciso entregar a vida para o fluxo divino, na confiança, e não somente em sí mas nos propósito a qual somos todos guiados.
É bom às vezes soltar e perceber que tudo está como deveria estar. Aceitar e confiar, trazer paz ao espirito.
Viver com mais fé, permitindo que a vida aconteça podendo ser parte dela com mais coragem e otimismo.
Conecte-se mais com a natureza, coloque mais o pé no chão e se sintonize com esta força. Não à toa nos sentimos bem junto ao ambiente natural, às arvores, rios, mares… pois é da natureza que pertencemos.
Desligue-se daquilo de te envenena. Desconecte-se das pessoas que nada acrescentam. Direcione sua vida para aquilo que te faz bem e confia!
Agradeças, seja mais grato ao que já conquistou e sinta-se merecedor de todas as coisas boas que estão a caminho, sem precisar sofrer por elas. Tudo é perfeito e tudo segue o seu divino propósito. Confia e apenas, seja.
Fonte: http://www.bemmaismulher.com/desligue-se-daquilo-que-te-envenena/

Alzheimer: O que fazer e o que não fazer!











tags: doença de Alzheimer, sintomas, Alzheimer tratamento, cuidadores, dicas aos cuidadores, o que não fazer, como cuidar, orientações para Alzheimer, dicas em demências, como cuidar nas demências, cuidar no Alzheimer

Por Maramélia Miranda ** (Atualizado em Setembro de 2016)

Aos cuidadores, familiares, pessoas que moram ou convivem com pacientes que tem o diagnóstico de Demência por Doença de Alzheimer, ou outros tipos de demência menos comuns, abaixo relaciono uma listinha do que devemos e do que não devemos fazer no cuidado diário destas pessoas.

Tarefas da vida diária: Deixá-los dependentes, ou independentes?!
Nos estágios mais leves e iniciais, os cuidadores e familiares podem, e DEVEM!!! Devem tentar manter os portadores de demências o máximo independentes possível, respeitando, é claro, o que poderão realizar de atividades de vida diária.
A reação inicial, por instinto protetor, e como forma de cuidar, proteger ou ajudar poderia ser, por exemplo, tentar ajudar o doente em tudo!!! Está errado! O cuidar é mais complexo nestes casos. Às vezes, melhor cuidar significa tentar fazer a pessoa doente fazer aquela tarefa… Ajudando-a apenas quando é preciso. Portanto,a seguir relatamos algumas diquinhas importantes:

No dia-a-dia…

* Crie uma rotina – Planejando o dia, os horários, de alimentar-se, almoçar, tomar os remédios, banhar-se, vestir-se, passear na rua, ou no jardim, etc, cria uma ordem, e menor confusão na mente dos idosos com Alzheimer, ou com outros tipos de demência.

* “Muita calma nessa hora” – Ter calma é uma das regras básicas para os cuidadores e famílias de idosos com demências. É óbvio que eles não irão se vestir no mesmo tempo que você se veste. Se você ou o cuidador são impacientes, o que acontecerá? Você ou quem cuida tenderá a fazer a atividade pela pessoa, como, por exemplo, se vestir ou escovar os dentes, ou tomar o banho. Isso cria um ciclo vicioso, onde o doente perderá lentamente a capacidade de fazer ou ajudar a fazer aquela tarefa. Você ou o cuidador pensará: “Ganho tempo vestindo-o mais rápido”. Doce ilusão. Você o acostumará a não fazer aquilo, e depois de algumas semanas, você terá mais trabalho, e ele (ou ela) não te ajudará em mais uma coisa, e a tendência é tudo piorar. É uma verdadeira bola de neve. Moral da história? Tenha calma, e deixe que o doente faça o MÁXIMO de coisas que possa fazer, mesmo que com sua pequena supervisão… Confie em mim… Isso fará com que o declínio para fazer estas tarefas seja mais lento.
* Limite as escolhas possíveis – Se for o caso de uma escolha de roupas, por exemplo, não mostre o armário todo, e prefira dar duas opções de camisa ou calça, ou vestimenta, por exemplo. O idoso, que já está meio confuso por causa da doença, irá te agradecer por você facilitar a mente dele. Para mulheres, por exemplo, não transforme a escolha de um acessório num transtorno; elimine escolhas como brincos ou colares, cintos ou correntes, etc. Quanto menores as opções, mais fáceis as escolhas e o trabalho mental dos doentes, e menor a possibilidade de se criar irritação e confusão mental, ou agitação nestas horas…

* Oriente instruções simples – Ao orientar como fazer uma tarefa, não instrua tudo de uma vez. Um passo de cada vez facilitará o seu trabalho como cuidador, e o entendimento do paciente. E poderá evitar, inclusive, que este fique nervoso, irritado em não conseguir fazer o que no passado conseguia mais facilmente.

* Reduza distrações durante uma tarefa – Ao comer, se possível, desligue a TV; ao vestir o doente, por exemplo, evite conversar sobre outro assunto; tentar fazer uma tarefa de cada vez, sem arrumar outras distrações durante aquela ação, facilita o fazer para o paciente, e agiliza o terminar da tarefa para o cuidador.

* Seja flexível quando precisar mudar algo – Se o doente não gosta mais daquela comida, ajuste o cardápio; se só quer agora usar a mesma roupa todos os dias, tente comprar outras roupas semelhantes, até mesmo iguais, e durante o banho dele, troque a roupa suja pela nova igualzinha… Esqueça de tentar convencê-lo do contrário, quando o doente insistir fixamente naquela ideia. Não se desgaste, nem desgaste a pessoa doente.

Na segurança…

* Previna quedas – Evite ter tapetes pela casa, muitos móveis atrapalhando o caminho, espaços pequenos e apertados, caminhos muito sinuosos. Se puder, instale barras para ajudar a pessoa a se equilibrar e evitar quedas, em locais mais críticos (como banheiros, escadas, corredores longos, ou nos boxes dos banheiros, por exemplo).

* “Armas” domésticas – Não deixe medicamentos, álcool, fogo, armas de fogo (revólveres, por exemplo), ferramentas pesadas ou utensílios domésticos mais perigosos, como facas e garfos afiados, ao alcance de pessoas com demência. Ou você deve arrumar uma fechadura para os armários e gavetas contendo isso, ou deixe-os em local inacessível ou desconhecido da casa.

* Queimaduras com água – Mantenha a temperatura do aquecimento da água em nível ameno. Isso previne queimadura em alguma situação imprevisível (por exemplo, o doente ir banhar-se sem sua ajuda).

Agitação e agressividade

Esta é uma das principais queixas de quem cuida de pessoas com demências ou muito idosos, em casas ou hospitais. Os sintomas de agitação, gemência, tremores, inquetação, chegando até mesmo a casos com gritos ou agressividade, são muito, muito frequentes… E vocês, família ou cuidadores, podem evitá-los consultando, inicialmente, o médico que assiste aquele doente, que poderá dar alguma medicação para este controle. Mas além disso, existem algumas medidas tão simples, que podem ajudar imensamente a reduzir que isso ocorra.
Para confusões e agitação…
* Observe se há algum padrão de agitação no seu paciente / familiar – É frequente um horário mais comum quando estes pacientes ficam mais inquietos e agitados. Isso é comum no final do dia, no entardecer, ou começo da noite. Fique atento aos horários mais comuns em que isso ocorre no seu familiar, ou paciente, para informar isso ao médico, e para que possa fazer algumas estratégias de como reduzir isso.
* Medidas simples para reduzir delirium / agitação – Delirium é como médicos e neuros chamam estas agitações frequentes em Alzheimer. Ocorre pela própria doença, e este problema pode ser minimizado com medidas simples, como, por exemplo, deixar a pessoa em local iluminado, arejado, abrindo bem as janelas durante o dia, para que a pessoa perceba que o dia está acabando e a noite irá chegar. Deixar a pessoa fechada, reclusa, sem noção do tempo, piora este sintoma frequente em portadores de demências. Outra coisa legal de se fazer é sempre deixar a pessoa portadora de demência com objetos conhecidos seus, um rádio, um souvenir, seu próprio óculos, ou, por exemplo, quando está fora de sua casa, com seu travesseiro, seu cobertor. Manter a pessoa próximo de sua rotina e de seus pertences dá uma segurança para o portador de demência, e pode reduzir a ocorrência destas agitações.
* Agitação à noite e durante madrugada – É beeeeemmmm frequente. Principalmente se você deixar o vovô ou a vovó dormir um monte durante o dia!!!! É óbvio que o paciente tenderá a trocar o dia pela noite, e a situação pode ficar literalmente infernal para ambas as partes… Nestes casos, sempre lembrar que o dia é para ficar desperto, e a noite é para dormir. Pode dar cochilos? Pode. Mas em horários curtos, no máximo 1-2 horinhas à tarde. Apenas. Se a agitação, gemência, e confusão mental ficarem muito intensas mesmo fazendo estas medidas de não deixar dormir de dia, tem que falar com o médico, para que se prescreva algum remédio sedativo para ajudar na insônia e delirium noturno.

* Medidas simples de higiene do sono – O básico do básico para evitar qualquer tipo de insônia também se aplica para os casos de Alzheimer e outras demências:
— Evitar grandes refeições em horários muito tarde da noite; Evitar alimentos e bebidas psicoestimulantes (açucar, chocolates, cafeína, chás fortes, etc). Evitar ter TV dentro do quarto de dormir. Evitar contato com celulares e computadores; Evitar locais barulhentos. Instalar janelas anti-ruídos, se o local da casa ou apartamento for muito barulhento; Se possível e o paciente gostar, usar músicas relaxantes no horário do sono…

** Dra. Maramélia Miranda é neurologista com formação pela UNIFESP-EPM, editora do blog iNeuro.com.br.
Fontes:
http://www.ineuro.com.br/

Imagem: http://cefal-unifal.blogspot.com.br/

Por que falas sem sentido são comuns em idosos com Alzheimer?


velhinhos

“- Em que país nós estamos?
– Porque a única coisa que a gente faz é levantar de manhã!”
A conversa acima parece bem estranha, certo? Essa conversa foi citada como um exemplo de fala bizarra de pacientes que sofrem com demência de Alzheimer, em uma pesquisa realizada por Trahan, Donaldson, McNabney e Kahng (2014). Frases aparentemente sem sentido ou colocadas fora de contexto são um dos sintomas observados em idosos com demência. Quem observa de fora tem a sensação de que essas vocalizações surgem “do nada”. Mas será que é assim mesmo?
Os pesquisadores citados acima desenvolveram uma série de estudos para tentar descobrir se existe algo no ambiente desses idosos que influencie na probabilidade de falas sem sentido acontecerem. Participaram três idosos com demência severa ou moderada que moravam em uma casa de repouso (local onde o experimento foi conduzido). Nos três estudos o experimentador se posicionava um pouco afastado do participante e dizia que ficaria ali trabalhando em alguma atividade.
No primeiro estudo, os pesquisadores criaram três situações: uma em que, quando ocorresse uma fala bizarra o experimentador daria atenção ao participante durante cerca de 10 segundos; uma em que o experimentador pedia para o participante ajudar em alguma tarefa, independente da fala sem sentido ocorrer; e uma em que, a cada 10 segundos o experimentador dava atenção ao participante, independente do que este estivesse fazendo. Os pesquisadores observaram que a quantidade de fala sem sentido, para os três participantes, foi maior na situação em que a atenção era dada, independente do que os participantes estivessem fazendo.
No segundo estudo, os experimentadores estavam interessados em entender se aspectos presentes no ambiente antes de as falas bizarras acontecerem teriam alguma influência em sua ocorrência. Para isso, novamente três situações foram arranjadas: uma em que o experimentador fazia perguntas que requeriam respostas de “sim” ou “não”(ex. “Hoje é segunda-feira?”); outra em que eram feitas perguntas abertas (ex. “Que dia é hoje?); e uma terceira em que o experimentador fazia comentários diversos sobre aspectos do dia-a-dia (ex.: “Hoje é segunda-feira.”), como se estivesse puxando conversa. Os resultados mostraram que na situação em que os participantes deveriam responder questões abertas, o número de falas bizarras foi maior do que nas outras situações.
Por último, os pesquisadores realizaram um estudo em que queriam entender se o que acontecia depois da fala sem sentido poderia influenciar na probabilidade de ela ocorrer novamente. Cinco situações diferentes foram arranjadas. Em quatro delas o experimentador fazia perguntas abertas e em uma delas fazia perguntas que levavam a respostas “sim” ou “não”. As situações com perguntas abertas foram: corrigir o participante depois que ele falasse algo sem sentido; continuar a conversa como se estivesse concordando com a frase dita, mesmo que ela não fizesse sentido; dar um intervalo de 10 segundos na interação com os idosos (lembrando que essa interação consistia em fazer perguntas) quando a fala bizarra acontecesse; e fazer uma nova pergunta após a resposta com fala bizarra. Os resultados mostraram que não houve diferença na quantidade de falas bizarras nas quatro situações com perguntas abertas e, novamente, na situação que envolvia respostas de “sim/não”, a ocorrência desse tipo de fala foi menor.
A partir desses resultados os pesquisadores discutiram que 
(1) a atenção gera maior probabilidade de falas sem sentido. Isso ocorreria, provavelmente, porque ter a atenção de alguém é uma situação propícia para conversa e, com o aumento da probabilidade do conversar viria o aumento da probabilidade de uma fala bizarra acontecer. Além disso 
(2) o tipo de pergunta parece ser uma variável importante. Aparentemente, as perguntas abertas, que requerem respostas mais elaboradas, geram mais falas sem sentido.
Esses resultados os levaram a pensar que pode ser possível aumentar a eficácia da comunicação com idosos com demência, se perguntas mais adequadas forem usadas. Por exemplo, ao invés de perguntar “O que você pretende fazer nesse fim de semana?”, seria mais adequado perguntar “Você pode me dar alguns exemplos de coisas que pretende fazer nesse fim de semana?”. O segundo tipo de pergunta leva a respostas mais objetivas, o que pode ser mais fácil para o idoso.
E sabe do que mais? Nesta pesquisa, nas situações em que os participantes respondiam questões de “sim/não”, em geral outros tipos de vocalizações ocorriam em seguida e, na grande maioria das vezes, era falas que faziam perfeito sentido!
Um aspecto que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de o que acontecia depois das falas não influenciar na frequência da ocorrência dessas falas no futuro. É sabido que ser sensível às consequências de um comportamento é muito importante para a aprendizagem e manutenção de comportamentos. Por isso o estranhamento em relação a esse resultado! Por outro lado, é também sabido que demências em fase moderada ou severa são resultados de intensas mudanças neurológicas. Talvez essas mudanças gerem uma insensibilidade às consequências e essa insensibilidade seja responsável, em parte, por vários dos sintomas das demências e assim, expliquem esses resultados.
Pesquisas como essas nos dão pistas de como melhorar a comunicação com pessoas com demência moderada e severa, o que reflete diretamente na qualidade de vida dos pacientes e de seus cuidadores.
Quer saber mais!?
Trahan, M. A., Donaldson, J. M., Mcnabney, M. K., & Kahng, S. (2014). The influence of antecedents and consequences on the occurrence of bizarre speech in individuals with dementia. Behavioral Interventions, 29 (4), 286–303.
Postado por Natalia Aggio, pos-doc do Departamento de Psicologia da UFSCar. Bolsista CAPES.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Translator